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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Tarte de Maçã e o Cheiro a Natal



Tenho andado um pouco ausente, por isso peço desculpa, não só pela falta de partilha, mas também por não ter retribuído os comentários nos vossos blogs que tenho visitado sempre que posso, mas de forma silenciosa e rápida.

Já há algum tempo que tenciono partilhar com vocês esta receita que voltou a reinar na minha cozinha, desta feita no dia em que a minha casa começou a cheirar a Natal. 

Porque já há uns dias que a minha casa cheira a Natal. Este ano, tal como no ano passado aproveitei o dia 25 de Novembro, que cá pelos meus lados é feriado concelhio, apesar de este ano ter calhado num domingo o que fez com que não soubesse a feriado, para decorar a árvore de Natal.

Gosto de começar a espalhar o espírito natalício, cá em casa neste dia, normalmente estou em casa e sei que falta exactamente um mês para o Natal.

Assim sei que tenho pelo menos um mês, e mais uns dias, para viver esta época que infelizmente, pelo menos para mim, passa muito depressa.

Enquanto decorava a árvore, o ambiente à minha volta era invadido pela doce conjugação da canela com a maçã que emanava do forno, o que se revelou numa atmosfera acolhedora e agradável.

Achei que esta tarte que congrega a vantagem, em relação a outras, de ser uma das sobremesas que tem muita aceitação cá por casa, associada à conjugação do aroma da canela com a maçã, seria sem dúvida o coroar perfeito para um dia em que se dás as boas vindas à época natalícia.

Apesar de se poder comer todo ano, acho que encaixa muito bem nesta época mais fria em que quase se espera que o ambiente seja invadido com aromas de especiarias vindos do forno. Tenho que agradecer a partilha do chef John do Food Wishes, por dar a conhecer esta maravilha.


Achei curioso por que tive a oportunidade de verificar que a conjugação da canela e da maçã parece ser muito apreciada por outras pessoas nomeadamente para as minhas companheiras blogistas, nomeadamente para a Manuela Teixeira dos Sabores com Tempo e para a Addicted do Cook Addiction


Depois de terminada a decoração, que ainda hoje, confesso, vai beneficiando de uns retoques aqui e ali, foi só sentar-me numa cadeira a comer uma fatia desta magnifica tarte e apreciar o brilho das decorações que adornavam a árvore e que transportaram à minha infância e à magia do Natal.





Ingredientes Massa:

1 cup manteiga gelada;
2,5 cups de farinha sem fermento;
1/2 colher das de chá de sal;
7 colheres das de sopa de água bem gelada;
1 colher das de sopa de vinagre de maça.

Ingredientes para o recheio:

6 a 8 maçãs:
1/2 colher das de sopa de sumo de limão;
3 colheres das de sopa de farinha maisena;
1/8 de colher das de sopa de noz moscada;
1/2 de colher das de sopa de canela;
1 pitada de sal;
2 colheres das de sopa de manteiga;
1 ovo;
Açúcar.

Preparação:

  1.  Comecei pela massa, por isso coloquei no processador a farinha e manteiga até a massa se assemelhar a areia;
  2. De seguida acrescentei metade da água e do vinagre e liguei novamente o robot;
  3. Assim que os líquidos estavam incorporados juntei a restante água e liguei novamente o robot;
  4. Quando a massa parecia consistente mas ainda com um aspecto ligeiramente esfarelado retirei-a e trabalhei-a na pedra da bancada até formar uma bola consistente;
  5. Dividi a massa em duas porções que envolvi em película aderente e levei ao frigorífico por pelo menos 30 minutos;
  6. Enquanto isso liguei o forno do fogão, descasquei as maçãs e cortei em gomos;
  7. Numa tigela acrescentei o sumo de limão e mexi de forma a envolvê-las neste liquido;
  8. Depois adicionei o açúcar  a noz moscada, a canela e a maisena e mexi até os ingredientes estarem completamente incorporados;
  9.  Retirei os discos de massa do frigorífico e com a ajuda de um rolo estiquei um dos discos de massa que usei para forrar uma tarteira;
  10. Assim que estava forrada coloquei as maçãs e o liquido por estas libertado na tarteira e por cima coloquei pequenas nozes de manteiga;
  11. Depois cobri as maças com a restante massa devidamente esticada;
  12. Uni a massa quem envolvia o recheio e a que o cobria com a ajuda dos dedos, e como o chef John mostra com muita perícia no seu video;
  13. Por fim fiz una golpes para servirem de chaminé e pincelei a massa com ovo previamente batido e polvilhei com açúcar;
  14. Levei ao forno até a massa estar dourada e com um aspecto estaladiço. 

Fonte: http://foodwishes.blogspot.pt/2009/11/classic-american-apple-pie-warning-this.html


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Bolachas de Iogurte e Chocolate para Uma Amiga Especial



Sabemos quem são os nossos melhores amigos quando:


  • ficamos contentes quando os vemos;
  • a sua companhia nos é agradável;
  • sentimos saudades da sua presença, 
  • sentimos falta do seu sorriso;
  • sentimos saudades da sua gargalhada; 
  • sabemos que os conselhos que nos dão são sensatos e visam o nosso bem;
  • sentimos saudades das palhaçadas que fazemos em conjunto;
  • sabemos que estão lá para os bons , mas também para os maus momentos;
  • nos ouvem com toda a atenção, mesmo quando estamos a repetir a conversa pela décima vez;
  • eles nos defendem e protegem de unhas e dentes;
  • sabemos que independentemente do tempo, da distância, ou das voltas que o mundo possa dar, eles ficarão sempre no nosso coração e nunca serão esquecidos.


Mas sabemos também quem são os nossos melhores amigos quando a sua dor, de alguma forma, também nos causa dor, principalmente quando as palavras faltam e quando sabemos que tudo o que podemos dizer, ou fazer para ajudar é pouco e não altera ou apazigua a dor que eles sentem. 

Hoje partilho com vocês estas bolachas de iogurte e chocolate em honra dos melhores amigos de todos  e de cada um. Eu em especial, dedico-as à minha Amiga M., a quem ofereci estas bolachas com muito amor e carinho, e com quem residem hoje os meus pensamentos e as minhas preses.    





Ingredientes:

600 gr. de farinha;
1 colher das de chá de fermento (a receita original não levava achei melhor colocar para crescerem um pouquinho);
400 gr. de açúcar;
200 gr. de manteiga;
200 gr. de chocolate em barra;
2 iogurtes naturais (a receita original referia iogurtes de aroma, como não tinha em casa usei naturais);
2 ovos;
1 colher das se sopa de essência de baunilha.


Preparação:

  1. Misturei a farinha, o fermento,o açúcar a essência de baunilha e a manteiga e amassei muito bem;
  2. De seguida juntei os ovos e os iogurtes e amassei tudo novamente;
  3. Moldei bolinhas e coloquei em cima de papel vegetal, depois pressionei levemente para  as achatar ligeiramente;
  4. Para ajudar a fazer as bolinhas por vezes passei as mãos por farinha para que amassa não se colasse às mãos:
  5. Levei ao forno durante cerca de 35 minutos ou até estarem cozidas e douradinhas;
  6. Retirei do forno e deixei arrefecer;
  7. Por fim derreti o chocolate em banho-maria e molhei metade de cada uma das bolachas no chocolate e deixei secar.  


Fonte: Revista Teleculnária n.º 1730 de 04/06/2012. 

   

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Frango Temperado com Tomilho e Regado com Vinho Branco



O frango tem um lugar especial na minha cozinha, é utilizado com frequência, mas o problema reside por vezes em cozinhá-lo de maneiras diferentes. Por vezes falta a imaginação, hoje deparei-me com este mesmo problema. Queria cozinhar o frango que já estava descongelado mas de uma maneira diferente das habituais. Enquanto arranjava e picava o frango surgiu-me pensei em fazer uma marinada e ao coloca-lo num alguidar fui acrescentando, por intuição alguns temperos que achei que ligariam bem e eis que surgiu o seguinte prato.




Ingredientes:

1 frango;
1 copo de vinho branco;
Tomilho (usei seco porque não tinha fresco);
Sal;
1 colher das de chá de massa malagueta;
3 colher das de sopa de polpa de tomate;
1 colher das de sopa de massa de pimentão;
4 bagas de pimenta da Jamaica;
1 baga de cravinho;
1 folha de louro;
3 colheres de azeite.

Preparação:

1.    Arranjei o frango tirando-lhe a pele e picando-o em pedaços;
2.    Coloquei-o numa pana de pequenas dimensões (alguidar para alguns);
3.    Acrescentei os ingredientes acima referidos e deixei marinar por duas horas, mexendo de vez em quando para que todos os pedaços ficassem com o sabor dos condimentos;
4.    Coloquei o frango e a marinada num recipiente que pudesse ir ao forno e cobrir com papel de alumínio;
5.     Levei ao forno, previamente aquecido, até estar devidamente assado.  



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Porquinhos nos Lençóis



Adoro petiscos e entradas, muitas vezes dou por mim quase satisfeita só com esta parte introdutória. Mas às vezes a questão reside não facto de tender sempre a fazer a mesma entrada. Como desta vez tinha um jantar para oferecer e não me apetecia fazer o de sempre decidi-me por Pigs in a Blanket que traduzi literalmente por Porquinhos nos Lençóis. Fiquei adepta, não só eu mas também os convidados que provaram e aprovaram. Trata-se de algo diferente e saboroso e ao nível da confecção é fácil e rápido de preparar.





Ingredientes:

1 embalagem de massa folhada de compra;
1 lata de salsichas;
1 gema de ovo.

Preparação:

1.    Liguei o forno do fogão a 180 graus;
2.     Desenrolei a massa folhada e cortei-a em triângulos (como a que usei era redonda tentei formar triângulos desiguais de forma a não desperdiçar massa);
3.    Como as salsichas era de tamanho normal cortei-as ao meio;
4.    Enrolei as salsichas nos triângulos e coloquei-os num tabuleiro forrado com papel vegetal;
5.    Pincelei os porquinhos com gema de ovo e levei ao forno durante 10 a 15 minutos ou até a massa estar cozida e dourada.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Tortilha


Há uns tempos li um texto da Isabel, no seu blog "Brisa Marítima", em que esta dizia que por vezes ouvia vozes vindas do frigorífico. Revi-me completamente no que ela estava a dizer, não que ande a ter alucinações auditivas, mas de facto detesto deixar estragar comida. Uma coisa que me custa muito fazer é deitar comida para o lixo. Por isso, quando abri o frigorífico e vi umas batatas cozidas cada vez mais tristes e esquecidas e umas sobras de carne de novilho cozida, pensei logo no texto da Isabel e decidi acabar com o sofrimento daqueles alimentos e também com o sentimento de culpa que me assolava cada vez que abri o frigorífico.  Assim sendo decidi-me por uma tortilha que se revelou um excelente jantar.
    


Ingredientes:

2 batatas cozidas com a pele;
1 tomate;
Carne cozida (usei de novilho que era as sobras que tinha no frigorífico mas pode ser usada qualquer outra);
5 colheres das de sopa de cenoura raspada;
½ folha de louro;
3 bagas de jamaica;
1 baga de cravinho;
Orégãos (usei secos porque não tinha frescos);
1 colher das de chá de massa malagueta;
2 colheres de polpa de tomate;
1 colher das de sopa de massa de pimentão;
1 ramo de salsa;
6 ovos;
1 cebola pequena;
2 dentes de alho;
2 colheres de sopa de azeite
Sal;
Pimenta.

Preparação:

1.    Comecei por raspar a cenoura, picar a cebola, a carne, e as batatas em cubos e os dentes de alho finamente;
2.    Numa frigideira coloquei o azeite, onde refoguei a cebola e os dentes de alho com o louro, a jamaica, o cravinho e os orégãos;
3.    Adicionei o tomate e deixei cozinhar até este ter libertado o seu sumo;
4.    Temperei com a massa malagueta, a massa de pimentão e a polpa de tomate;
5.    Acrescentei a raspa de cenoura e a carne e deixei cozer ligeiramente temperei com sal e pimenta;
6.    Distribui as batatas pela sertã;
7.    Numa tigela bati os ovos com sal e pimenta com a salsa picada;
8.    Por cima coloquei os ovos batidos e com a ajuda de um garfo fui fazendo alguns furos no sentido do ovo se ir misturando no preparado;
9.    Quando estava cozida de um lado, virei com a ajuda de um prato de forma a cozer do outro.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Caracóis Dinamarqueses



Há já alguns dias que ao folhear um livro de culinária vi uma receita de caracóis dinamarqueses que me ficaram na menina do olho. Estes fizeram-me lembrar uns caracóis que comia há uns anos que eram dominados pelo estabelecimento como caracóis de canela. Deitei mãos à obra e decidi englobar a canela e para os apreciadores desta especiaria recomendo a sua utilização. Recomendo tanto que vou confessar algo quase vergonhoso. Os caracóis, a partir do momento em que tiveram o fondant por cima, desapareceram todos numa tarde, não restou nem um. Aliás, restou um que resgatei para a M. experimentar.




Ingredientes Massa:

225 gr. de farinha com fermento;
225 gr de margarina;
225 gr. de queijo para barrar*;

Ingredientes Recheio**:

Canela em pó q.b.;
Uvas passas q.b.

Ingredientes fondant:

100 gr de açúcar de pasteleiro;
1 ou 2 colheres das de sopa de sumo de limão.

Preparação:

1.    Comecei pela massa, assim esfarelei a manteiga na farinha até ficar em migalhas;
2.    Adicionei o queijo creme até formar uma massa macia;
3.    Envolvi a massa com película aderente e reservei no frio durante 1 hora;
4.    Passado este tempo desembrulhei e amassei a massa sobre um superfície enfarinhada até ficar leve e não pegar;
5.    Estendi, com a ajuda de um rolo, a amassa no formato de um rectângulo;
6.    Polvilhei-o com canela e com as frutas cristalizadas cortadas em pequenos pedaços;
7.    Enrolei em forma de torta;
8.    Cortei fatias com cerca de 2 ½ cm de espessura;
9.    Coloquei as fatias num tabuleiro devidamente forrado com papel vegetal;
10. Deixei cozer durante 20 minutos ou até estarem firmes e douradas;
11. Por fim preparei o fondant, para tal peneirei o açúcar de pasteleiro e juntei o sumo de limão;
12. Verti-o sobre os caracóis ainda quentes.


* A receita original referia requeijão ou ricotta, como em casa não tinha nem um, nem outro, utilizei queijo creme de barrar.
* * Na receita original existem várias opções para o recheio para além das passas, tais como frutas cristalizadas e doce.



Fonte: Hurst, Bernice; Colecção Tentação culinária – sobremesas, 1996 Quintet Publishing Limited. 


domingo, 18 de novembro de 2012

Bifes na Brasa


Sou uma rapariga de alguns gostos delicados mas confesso que adoro um bife de novilho mal passado. Confesso que nem sempre fui assim, alturas houve em que a ideia de um bife mal passado me repugnava. No entanto, algumas férias passadas em Bragança e alguma insistência da parte do D. fizeram-me experimentar, um bocadinho a contragosto, a tão afamada posta à mirandesa. E rendi-me! 
A partir dai, todas as minhas visitas a Bragança eram normalmente iniciadas com um jantar no Lombada, na aldeia de Babe, e o prato já estava sempre decidido, nem era preciso o funcionário trazer a ementa: posta à mirandesa, com os devidos acompanhamentos, claro não estivéssemos nós num restaurante trasmontano. Assim, a refeição iniciava-se sempre com pão trasmontano e azeitonas também de Trás-os-Montes. Depois vinha a afamada posta acompanhada de batata à murro, batata frita, mas não da pré-frita, salada e tudo empurrado por vinho da casa.
As costeletas que hoje vos trago não foram confeccionadas no Lombada, mas o R., o cozinheiro que as grelhou, está igualmente de parabéns, estavam divinais. Para as acompanhar, servi salada de tomate e pimento assado.






Ingredientes:

2 Costeletas de novilho com altura de cerca de 3 cm;
Sal;
Pimenta.


Preparação:

  1. Temperar as costeletas com sal e pimenta;
  2. Colocar no grelhador e ter atenção ao grau de cozedura para ficar ao gosto de cada um.

Como a César o que é de César, a minha participação passou só pelo tempero o restante mérito é do R. que domina a mestria do carvão.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Queijo da Ilha o Rei da Minha Mesa


Sou da ilha do dragão adormecido;
Sou da ilha das fajãs;
Sou da ilha das falésias inclinadas;
Sou da ilha dos pastos verdejantes;
Sou da ilha das vacas que pachorrentamente pintam a paisagem rural aqui e acolá;
Sou da ilha em que temos que interromper a marcha do carro para dar lugar a uma manada de vacas;
Sou da ilha das colchas de lã, tecidas no tear de madeira;
Sou da ilha onde se consegue produzir café e bananas;
Sou da ilha dos doces típicos em forma de ferradura denominados espécies;
Sou da ilha em que se vive afincadamente o culto ao Divino Espírito Santo;
Sou da ilha com uma espécie de amêijoas únicas no mundo;
Sou da ilha que fica no coração do arquipélago dos Açores;


Eu sou da ilha do Queijo da Ilha!



De todas as características e produtos este é talvez aquele que leva o nome e a essência da minha ilha além fronteiras. Hoje acaba por ser produzido noutras ilhas com a denominação de Queijo da Ilha, mas é de facto um produto originário e típico da minha ilha, de São Jorge.

Trata-se de um queijo que é conhecido não só nos Açores, mas também em Portugal Continental e mesmo no estrangeiro. É um produto recomendado, por exemplo nas visitas guiadas de vinho do porto a par de outros célebres queijos estrangeiros. É um queijo reconhecido e utilizado por chefes de renome internacional.

Trata-se de um queijo de pasta dura e amarelada que apresenta pequenos orifícios irregulares. Este queijo é normalmente vendido em pedaços, normalmente nas superfícies comerciais esses pedaços são vendidos em vaco para efeitos de conservação, uma vez que os queijos mais pequenos têm o peso de 6 ou 7 kg. Trata-se de um queijo que poderá ter a dimensão da roda de um carro, ou até maior, dependendo do peso. Quando é comprado nas fábricas de fabrico local, o cliente tem a oportunidade de degustar esta iguaria antes de a compar. Nestas situações o queijo é normalmente classificado por frescal, médio e picante. Esta denominação classifica a intensidade do sabor do queijo, quer seja mais suave, médio ou intenso. Independentemente da classificação trata-se sempre de um queijo de sabor forte que não deixa ninguém indiferente.   

Eu sou uma apreciadora de queijo, ainda nunca provei nenhum que não gostasse. Claro, sou mais apreciadora de uns do que de outros, mas confesso que em geral gosto mais de queijos de sabor intenso, não fosse eu jorgense de gema, habituada desde cedo ao queijo da minha ilha. Apesar de gostar de experimentar vários queijos, e de me apaixonar por alguns, há um que é sempre o rei da minha mesa O QUEIJO DA ILHA.       

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Frango Estufado com Cogumelos


Um dia deste ao ver o telejornal vi uma reportagem sobre a apanha de cogumelos em Trás-os-montes. Esta fez-me lembrar outros tempos, tempos em que também eu andei a apanhar cogumelos em Trás-os-montes. Fez-me lembrar uma época em que, com a S. e o Sr. A., íamos animadamente de terreno em terreno, de pinhal em pinhal, explorar os vários recantos entre galhos caídos e entre a agulha dos pinheiros a ver se encontrávamos o precioso tesouro. Lembro a alegria quando depois de remexermos a agulha encontrávamos uma mancha alaranjada com uma superfície macia e ali estava a tão desejada “pinheira”. A procura destes tesouros levava à descoberta de outros, que constavam de fabulosas paisagens transmontanas de uma beleza telúrica imensa, que nunca é vista em postais, ou fotografias de roteiros turísticos. Lembro-me de chegar a casa dos pais da S., que foram para mim como uma família durante os meus tempos de estudante na invicta, e de assarmos as "pinheiras" no braseiro da lareira e de as envolvermos depois em azeite e sal. Ainda hoje me lembro do seu sabor e da sua textura, nunca mais comi nada que se assemelhasse. Mas também já as comi confeccionadas pela Sr.ª A. como guarnição para o molho de um frango estufado e eram igualmente divinais. Em honra a esses tempos e ao carinho de uma família que me aconchegou a alma, aqui fica um frango estufado com cogumelos porto bello que não se equiparam às "pinheiras", mas que de forma simbólica lhe prestam homenagem.    




Ingredientes:

1 frango médio;
8 cogumelos porto belllo;
2 colheres de sopa de bacon aos pedaços;
½ cebola;
3 dentes de alho;
4 bagas de pimenta da jamaica;
1 baga de cravinho;
1 folha de louro;
2 colheres das de sopa de azeite;
2 colheres das de sopa de polpa de tomate;
1 colher das de chá de colorau;
½ copo de vinho branco;
Água;
Sal;
1 colher das de sopa de massa de malagueta (dosear a quantidade de acordo com o grau de picante).


Preparação:

  1. Tirei a pele ao frango, cortei-o em pedaços e temperei-o com algum sal;
  2. Num tacho ou panela colocar o azeite a cebola e os dentes de alho picados finamente, (eu usei a minha panela de ferro que acho se adequava tanto ao cozinhado como à carga emocional do mesmo);
  3. Adicionei o louro, as bagas de jamaica e o cravinho que deixei;
  4. Refogar até a cebola estar meia translúcida;
  5. Nesta altura acrescentei o bacon e deixei fritar até este libertar alguma da gordura;
  6. Juntei o frango e deixei-o alourar ligeiramente;
  7. Acrescentei o vinho branco, a polpa de tomate, o colorau e a massa malagueta, acrescentei mais algum sal e deixei estufar;
  8. Verifiquei frequentemente o nível de liquido e fui acrescentando água à medida que este foi evaporando;
  9. A 10 minutos do fim da cozedura acrescentei os cogumelos lavados e cortados em bocados grosseiros e rectifiquei os temperos;
  10.  Recomendo fazer o preparado e deixá-lo dentro da panela durante algum tempo, já com o fogão desligado, para que os cogumelos absorvam o sabor do molho. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Bifes de Peru com Laranja e Açaflor


Há dias em que apetece uma comidinha caseira, mas cuja preparação não nos consuma muito tempo. Foi o que me aconteceu hoje. Por isso saiu-me esta combinação. Costumo temperar os bifes de peru com sumo de limão mas desta vez decidi inovar e não me arrependi. 





Ingredientes:

1 laranja;
2 bifes de peru;
Sal;
Pimenta branca;
Açaflor.

Preparação:

1.   Temperar os bifes com sal, pimenta branca e o sumo de laranja e deixar marinar durante aproximadamente 30 minutos;
2.    Grelhar os bifes;
3.    No final polvilhá-los com fios de açaflor.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Bacalhau à Gomes Sá Temperado com Tempestade

Hoje depois de um dia de mau tempo, em que nos encontrávamos sob alerta da protecção civil e em que foi impossível colocar de lado a sensação de perplexidade perante a tragédia e o desespero de alguém, que tão próximo de nós, passou por momentos de aflição e pânico, apetecia-me um sopa reconfortante. 

Mas, como já tinha bacalhau a demolhar, prossegui com os planos iniciais - Bacalhau à Gomes Sá.
Não que tenha ficado triste pelo facto de jantar Bacalhau à Gomes Sá, que adoro. No entanto, hoje a sua confecção não foi feita de forma tão efusiva como é costume.

Desta vez o meu pensamento estava centrado na tragédia que assolou a minha Ilha na madrugada de segunda-feira, quando nada se previa. Houve caminhos cujo alcatrão desapareceu para dar lugar a ribeiras, casas inundadas e pessoas desalojadas. Também o facto de ontem ter dormido mal, por causa deste acontecimento, não ajudou ao meu estado de espírito de hoje. 

O facto de uma situação destas ocorrer tão próximo de nós, com pessoas que conhecemos e sem que nada se fazesse esperar, faz-nos efectivamente ter a noção da nossa pequenez e insignificância.

Nós não controlamos a natureza, esta deixa-nos ter essa ilusão, mas de facto somos nós que somos controlados por esta e de um momento para o outro podemos passar de uma situação estável a uma de desespero total. 

Bem, mas para reconfortar a alma e aliviar um pouco estes pensamentos, deixo-os com um Bacalhau à Gomes Sá.  





Ingredientes:

2 postas de bacalhau demolhado de véspera;
4 batatas médias;
1 cebola grande;
2 dentes de alho;
4 colheres das de sopa de azeite;
1 ovo:
Azeitonas q.b.;
Salsa;
Sal;
Pimenta;
1 folha de louro;
Pimenta da jamaica.


Preparação :

  1. Cozer o bacalhau, limpá-lo de espinhas e de peles e lascá-lo grosseiramente;
  2. Lavar as batatas e cozê-las cortadas ao meio mas ainda com casca, temperar com sal;
  3. Depois de cozidas pelá-las e cortá-las aos cubos;
  4. Cozer o ovo, descascá-lo e cortá-lo em rodelas;
  5. Descascar as cebolas e o alho;
  6. Cortar a cebola em meias luas e os alhos em rodelas;
  7. Numa sertã ou tacho, colocar o azeite, onde se aloura a cebola e os alhos e se acrescentar o louro e a jamaica;
  8. Mais tarde adiciona-se o bacalhau e mexe-se tudo;
  9. Liga-se o forno;
  10. Num recipiente que possa ir ao forno colocam-se as batatas e o preparado anterior, ao qual se rejeitou o louro e a jamaica;
  11. Mistura-se tudo delicadamente, rega-se com azeite e vai ao forno até estar coradinho;
  12. Por fim, decora-se com as azeitonas, os ovos e a salsa picada. 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Bolo com Frutos Secos e Pasta de Açúcar e o Aniversário da Minha Mãe

Hoje foi o aniversário de alguém muito especial para mim, a minha mãe. Como já é tradição eu faço o jantar de aniversário dela e ela faz o meu. Faço-o com muito gosto, não só porque gosto de cozinhar e passar uma bela tarde entre tachos e panelas, mas principalmente porque gosto muito dela. E, para mim, cozinhar está intimamente ligado ao amor e aos afectos. É com muito gosto e satisfação que preparo o repasto todo a pensar nela. Sim, porque cozinhar em especifico para alguém, é uma oportunidade de nós pensarmos na pessoa: nas suas características, nos sentimentos que nutrimos por ela, na forma que ela nos influenciou, na forma como ela gosta de nós e nós dela. 

E em relação à minha mãe é difícil encontrar palavras para descrever os sentimentos que nutro por ela, acho que tudo se podia resumir com uma frase que é banal, mas que não deixa de não ser verdadeira para cada um que a sente. Ela é, para mim, a melhor mãe do mundo.

Muito do que sou devo a ela, não só as parecenças físicas, mas também aos seus ensinamentos, à forma como que educou, aos conselhos que me dá, e à forma como me ama incondicionalmente.

Por isso, para a minha mãe, que sempre me surpreendeu e me continua a surpreender com as suas conquistas que por vezes poderiam parecer improváveis,  e de quem tenho muito orgulho, aqui fica um bolo de aniversário muito especial, para alguém igualmente muito especial.  






Ingredientes Bolo:*

4 ovos;
250 gr. farinha + para polvilhar a forma;
1 colher das se sopa de fermento em pó;
200 gr. de açúcar;
150 gr. de manteiga + para untar a forma;
100 gr. de miolo de noz moído;
100 gr. de avelãs moídas.


Ingredientes para o Recheio:

1 lata de leite condensado cozido.


Ingredientes para a Cobertura: 

1 kg de Pasta de açúcar ou pasta americana (usei cor de pele);
Corante vermelho.


Preparação do Bolo:
  1. Ligar o forno;
  2. Untar e polvilhar a forma (usei uma redonda);
  3. Bater o açúcar com a manteiga até formar um creme liso e espesso;
  4. Juntar os ovos um a um e batendo sempre;
  5. Incorporar a farinha e o fermento;
  6. Por fim adicionar o miolo de noz moído.

Preparação do Recheio e cobertura:
  1. Coloquei o bolo de noz, por seu mais escuro no fundo do prato onde pretendia servir o bolo e barrei o topo deste com leite condensado cozido;
  2. Sobrepus o bolo de avelã;
  3. Barrei todo o bolo com o restante creme;
  4. Estendi parte da pasta de açúcar com a ajuda de um rolo de cozinha e com a ajuda deste coloquei a pasta em cima do bolo;
  5. Moldei a pasta ao bolo e cortei o excesso;
  6. Apliquei corante numa parte da restante pasta;
  7. Moldei um laço, tiras e bolas que cortei com a ajuda de um cortador;
  8. Apliquei ao bolo. 
Devo confessar que para minha primeira experiência com pasta de açúcar fiquei bastante satisfeita comigo própria.



* Como depois de fazer o bolo e cortar a parte superior este parecia muito baixo repeti a receita, ou seja, usei o dobro dos ingredientes à excepção das nozes que não tinha em casa. Assim, no segundo bolo substitui as nozes por avelãs e não me arrependi.  

domingo, 28 de outubro de 2012

Manteiga de Alho e Salsa com Pão Caseiro e a Lembrança da Minha Avó

Lá fora a chuva cai e a saudade deixa-nos um sabor salgado na boca, um aperto no peito e um nó na garganta. Hoje seria o aniversário de nascimento da minha avó materna, a avó L., sempre lembrado, não só porque é um dia antes do da minha mãe, mas também porque foi a única avó que conheci e da qual tenho boas lembranças. Neste dia a avó L. completaria 92 primaveras, mais 30 que a minha mãe e mais 60 que eu. Da avó L. lembro sempre a sua imensa bondade e paciência, a capacidade subtil que tinha em transformar uma tragédia num episódio banal, sem que quase ninguém se apercebe-se. Lembro que ficava impressionada de a ver sentada na mesma posição durante muito tempo, sem nunca se mexer, enquanto levava a cabo alguma tarefa. Sim, porque a avó L. nunca parava. Lembro os seus imensos cabelos longos que apanhava todas as manhãs num apanhado elaborado, que as suas mãos experientes e habilidosas pareciam transmitir que se tratava de um procedimento fácil e acessível a qualquer um. Lembro-me de a ver cuidar de todos e de ter a capacidade de transmitir serenidade a quem a rodeava. Lembro-me de correr para junto dela quando esta ia dar comida aos animais e dizer "eu ajudo-te avó", hoje sei que mais atrasava do que adiantava, mas, mesmo assim, a avó L. sorria e nunca rejeitava a minha ajuda. Lembro-me de a ver na cozinha, junto ao lume e ao forno de lenha, fazia mover e rodopiar tachos e panelas com habilidade e sabedoria, tinha um sorriso no rosto, movia-se com destreza, como se pertencesse àquele lugar e ele a ela. 
Por isso, hoje em especial, lembro a minha avó L., porque acredito que de alguma forma as pessoas e a sua essência continua a perdurar através de lembranças e através da repetição dos nossos gestos, e porque não das nossas receitas, que no fundo marcam a nossa história e perduram para além de nós.
Assim, deixo-vos com uma fatia de pão caseiro, feito com com os ensinamentos que a minha avó passou à minha mãe e que esta está a passar a mim. Para o acompanhar deixo-vos a receita de manteiga de alho e salsa. 
  


Ingredientes:

125 g. de manteiga (usei milhafre - produto açoriano);
1 dente de alho;
1 colher das de sopa de salsa picada.

Preparação:
  1. Deixei a manteiga à temperatura ambiente;
  2. Piquei a salsa e o alho de forma bem miudinha;
  3. Adicionei à manteiga e misturei tudo;
  4. Está pronta a consumir, como sobrou guardei o resto no frigorífico dentro de uma antiga embalagem de manteiga.